terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Odores natalícios

Por esta altura já as árvores de Natal magnificamente verdes, cravadas de pinhas, três por galho, preenchem com grandiosa beleza os cantos das salas. Nos nossos dias as árvores de Natal magnificamente verdes cheiram a polímeros baratos e a loja do chinês. Deveria ser criado um novo cheiro na paleta de cheiros deste mundo, o cheiro da loja do chinês. Um cheiro barato que se impregna nas coisas e lhes corrói a alma. Fenómeno parecido com o que acontece com a comida da Bimby. Por isso me contento com três ramos de árvore toscos a cheirar a resina e uma coroa mal amanhada a tresandar a canela e a velas de igreja. Raminhos de árvore colhidos (gamados) na floresta mas próxima. Que isto dos odores, no Natal, é tão importante como na Primavera. Já mo obrigavam a recitar quando tinha sete anos, em cima do estrado esburacado da escola primária, um poema cujo autor nunca conheci sobre os cheiros do Natal. "É Natal, anda um cheirinho no ar, não sei bem como explicar..." Se o Natal cheira a polímeros, em breve o Natal cheira a Páscoa, a Carnaval e todos os cheiros podem ser produzidos na Bimby.  Não será assim, nota-se nos nossos dias uma vontade de voltar ao essencial, de voltar aos cheiros de sempre. Eu junto-me a ela e vou imediatamente tirar a árvore da caixa, esticar os galhos atrofiados que lhe dão um aspecto de paralelepípedo farfalhudo.

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