Na fila dos correios. Um cabelo por lavar há dias, umas mãos nervosas e sujas a apertar um envelope com janela, aberto. Olhos no chão e passos pequenos, chega à sua vez troca o envelope por notas (poucas), guarda o dinheiro sem o contar e sai com passos miúdos.
Eu fico na fila, a pensar no estado providência, nos seus vícios e virtudes. Uma pessoa passa-me à frente, nada digo. Diria, mas como estou ali à espera para enviar um postal de Natal a uma pessoa que nunca vi na vida, penso seria incoerente reclamar. E é isto, às vezes, o Natal, um estado providente de miséria e um postal a um desconhecido.
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