Dickens
ao lado, computador à frente. O lume a crepitar e o gato velho de nariz enfiado
no casaco de lã. Não sei se os gatos tomam os hábitos da gente, se a gente, os
dos gatos. O santo inverno canta lá fora, no céu azul-escuro de gelo polido, pontilhado
de luzes. Cantava, se puxássemos o lustro à via láctea. Se o gato não acorda
ficaremos sem lume por falta do combustível arbóreo que o alimenta. O dorso
dobrado do bichano atrapalha as teclas, que havia de ser do mundo sem
computadores e sem gatos.
Mandela
morreu. Para onde vão os homens que superam a humanidade quando morrem? Para o
céu? Juntar-se às beatas piedosas, a velhinhos e crianças. Não será assim. Os
homens que são mais do que homens deveriam transformar-se em cometas, se já o
foram na terra. Bolas de fogo voadoras que riscam o céu sublinhando as
estrelas, com caudas que deixam um rasto de luz para os seguirmos.
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