sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Inverno(s)

Dickens ao lado, computador à frente. O lume a crepitar e o gato velho de nariz enfiado no casaco de lã. Não sei se os gatos tomam os hábitos da gente, se a gente, os dos gatos. O santo inverno canta lá fora, no céu azul-escuro de gelo polido, pontilhado de luzes. Cantava, se puxássemos o lustro à via láctea. Se o gato não acorda ficaremos sem lume por falta do combustível arbóreo que o alimenta. O dorso dobrado do bichano atrapalha as teclas, que havia de ser do mundo sem computadores e sem gatos.  


Mandela morreu. Para onde vão os homens que superam a humanidade quando morrem? Para o céu? Juntar-se às beatas piedosas, a velhinhos e crianças. Não será assim. Os homens que são mais do que homens deveriam transformar-se em cometas, se já o foram na terra. Bolas de fogo voadoras que riscam o céu sublinhando as estrelas, com caudas que deixam um rasto de luz para os seguirmos.

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