sábado, 21 de dezembro de 2013

Natal é num dia qualquer

Natal é num dia qualquer. Natal foi ontem. Natal é dizer obrigada a alguém a quem devemos muito, é dar a senha (que já não precisamos) à pessoa com o ar mais triste que estiver à espera na loucura natalícia dos CTT, a uma hora do fecho, é comprar formas para bolachas (e fazê-las mesmo), é voltar a um lugar antigo e (quase dez anos depois) saber que ainda se lembram do nosso nome. Natal é isto e por isso é muitas vezes Natal.

A minha mãe e a Amazon

- Chegou uma encomenda para ti. E vem do Brasil, diz aqui Amazónia.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

"Tu não és especial"

Um bom texto Aqui que diz exactamente o que penso. Quando uma geração (ou várias) são educadas para acreditarem que sim, são muito especiais.



Cidra é o novo gin

A cidra é o meu novo gin. Esta é da Bretanha e parece bastante mais autêntica (e amarga) do que aquela da marca que chegou recentemente a Portugal, mas estou decida a explorar mais o mundo do elixir da maçã.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Empatia vs Simpatia

E tão difícil que é ser empático. Sobretudo quando o nosso umbigo é um fosso enorme que nos engole, no fundo do qual gostamos estar sentadinhos a fazer trancinhas de cotão.

E como faltam poucos dias para o ano acabar.
Tenho tentado tornar-me na pessoa que queria ser.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Na fila dos correios. Um cabelo por lavar há dias, umas mãos nervosas e sujas a apertar um envelope com janela, aberto. Olhos no chão e passos pequenos, chega à sua vez troca o envelope por notas (poucas), guarda o dinheiro sem o contar e sai com passos miúdos.

Eu fico na fila, a pensar no estado providência, nos seus vícios e virtudes. Uma pessoa passa-me à frente, nada digo. Diria, mas como estou ali à espera para enviar um postal de Natal a uma pessoa que nunca vi na vida, penso seria incoerente reclamar. E é isto, às vezes, o Natal, um estado providente de miséria e um postal a um desconhecido.

Não admira que os extraterrestres não nos contactem



Em resposta a isto alguém comenta: "que mundo estranho, não admira que os extraterrestres não nos contactem". E eu fiquei a pensar nisso.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Odores natalícios

Por esta altura já as árvores de Natal magnificamente verdes, cravadas de pinhas, três por galho, preenchem com grandiosa beleza os cantos das salas. Nos nossos dias as árvores de Natal magnificamente verdes cheiram a polímeros baratos e a loja do chinês. Deveria ser criado um novo cheiro na paleta de cheiros deste mundo, o cheiro da loja do chinês. Um cheiro barato que se impregna nas coisas e lhes corrói a alma. Fenómeno parecido com o que acontece com a comida da Bimby. Por isso me contento com três ramos de árvore toscos a cheirar a resina e uma coroa mal amanhada a tresandar a canela e a velas de igreja. Raminhos de árvore colhidos (gamados) na floresta mas próxima. Que isto dos odores, no Natal, é tão importante como na Primavera. Já mo obrigavam a recitar quando tinha sete anos, em cima do estrado esburacado da escola primária, um poema cujo autor nunca conheci sobre os cheiros do Natal. "É Natal, anda um cheirinho no ar, não sei bem como explicar..." Se o Natal cheira a polímeros, em breve o Natal cheira a Páscoa, a Carnaval e todos os cheiros podem ser produzidos na Bimby.  Não será assim, nota-se nos nossos dias uma vontade de voltar ao essencial, de voltar aos cheiros de sempre. Eu junto-me a ela e vou imediatamente tirar a árvore da caixa, esticar os galhos atrofiados que lhe dão um aspecto de paralelepípedo farfalhudo.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Inverno(s)

Dickens ao lado, computador à frente. O lume a crepitar e o gato velho de nariz enfiado no casaco de lã. Não sei se os gatos tomam os hábitos da gente, se a gente, os dos gatos. O santo inverno canta lá fora, no céu azul-escuro de gelo polido, pontilhado de luzes. Cantava, se puxássemos o lustro à via láctea. Se o gato não acorda ficaremos sem lume por falta do combustível arbóreo que o alimenta. O dorso dobrado do bichano atrapalha as teclas, que havia de ser do mundo sem computadores e sem gatos.  


Mandela morreu. Para onde vão os homens que superam a humanidade quando morrem? Para o céu? Juntar-se às beatas piedosas, a velhinhos e crianças. Não será assim. Os homens que são mais do que homens deveriam transformar-se em cometas, se já o foram na terra. Bolas de fogo voadoras que riscam o céu sublinhando as estrelas, com caudas que deixam um rasto de luz para os seguirmos.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Palavras

As palavras são vento a sair da boca.

Hoje acordei e pensei: apetece-me falar com alguém. Vou escrever um blog.